Manhuaçu participa de reflexão da Romaria do Terço dos Homens e o exemplo da bolsa do peregrino

21 de fevereiro de 2019

Durante a XI Romaria do Terço dos Homens no Santuário, os grupos tiveram a oportunidade de refletir o tema da peregrinação deste ano: ‘Terço dos Homens: não basta rezar, é preciso agir’.

O Padre Vandemir Meister, Assessor Nacional do Terço dos Homens, destacou pontos importantes da temática escolhida para a Romaria, tirando de uma bolsa de peregrino alguns instrumentos necessários na caminhada, na peregrinação, como ele explicou:

“Eu vim peregrinando. Eu trouxe aqui a bolsa do peregrino. Cada um de nós, traz as suas coisas de peregrino dentro desse saco”. Questinando os presentes, reunidos em torno do Altar Central, perguntou: “O que é que cada um de nós, traz hoje aqui para depositar aos pés da Mãe de Deus?”

Os itens tirados da bolsa do peregrino foram: Tapete, Bíblia e Água. A cada um deles, relacionou a caminhada de fé dos homens do terço, ressaltando que a confiança em Deus, a disponibilidade e o compromisso com a Igreja e o próximo são sinais de evangelização e vivência cristã.

Confira os pontos importantes da reflexão:

“Hoje nós somos convidados a seguir um lema: ‘Terço dos Homens: Não basta rezar é preciso agir’. E nós queremos refletir o que é rezar o que é agir. Que diferença nós podemos fazer hoje? Que esse tema nos impulsione a fazer diferente. ‘Eis-me aqui’, sou eu que me coloco à disposição da Mãe de Deus para agir.”

Os itens tirados da bolsa do peregrino

1º item – Tapete:

“É algo que protege o peregrino quando ele parte para chegar a algum lugar. O tapete se usa quando se está cansado à beira do caminho, fazendo a rota rumo a Aparecida, por exemplo. O tapete também pode significar o nosso caminho com Deus. Todos nós somos o homem peregrino, que faz o caminho.

A nossa vida é muito curta para viver aqui. Deus cria a cada um de nós para fazer uma peregrinação aqui na terra, para fazer um caminho. Agora eu trago uma pergunta a cada um de vocês: O que nesta vida é importante para fazer essa peregrinação?

Para explicar melhor esse item e todos os outros que serão tirados da bolsa, padre Vandemir contou uma história:

Um monge entrou no mosteiro muito entusiasmado, porque ele queria transformar o mundo. Ele passou dentro do mosteiro, nos primeiros dez anos, se esforçando e labutando para transformar o mundo. Passado dez anos, ele fez uma reflexão e chegou à conclusão de que não havia transformado nada. Então pensou: Talvez eu tenha planejado errado.

Eu quero agora transformar o meu país. Ali ele diminuiu o espaço de transformação e começou, a partir dali, a se empenhar para transformar o seu país. Ele escrevia para o seu presidente, escrevia para as pessoas importantes do país. Daí passaram dez anos e ele fez uma constatação, de que não havia transformado nada.

Então pensou em transformar o seu mosteiro, porque ali era pequeno e, para isso, ele deu um prazo de cinco anos. Passou esse tempo e ele fez uma nova avaliação e viu que não tinha transformado nada no mosteiro.

A seguir, ele foi conversar com o abade, chefe do mosteiro, e contou todo o seu propósito, seu projeto de vida e disse que não havia conseguido transformar nada. O abade, uma pessoa sábia, com experiência de vida, olhou para ele e disse: “Meu filho, será que você não começou errado o teu projeto? Será que você não devia, primeiramente, ter feito a mudança em você, no teu mundo?  E, a partir do teu mundo, transformar o nosso mosteiro, depois a nossa cidade e, aos poucos, ir ampliando essa transformação?”

Então o monge se deu conta de que, realmente, o problema da transformação não eram os outros, não eram as estruturas, mas ele próprio: a sua maneira de ser não ajudava a produzir mudança.

Eu pergunto a cada um de nós aqui: onde eu quero produzir mudança? No trabalho, na minha família, na minha igreja, na dimensão política, algo maior? Por que é que não dá certo? Será que essa história nos ilumina? Eu tenho que começar a mudança comigo. Se eu, que sou do Terço dos Homens, quero partir para a ação, eu tenho que ter uma transformação e uma mudança pessoal.

Por isso, esse tapete significa o caminho da nossa vida e quem nos dá a oportunidade de fazer esse caminho é Deus. Nós podemos olhar para trás na nossa vida e ver que está toda bonita, tudo certo. É o lado de cima do tapete. Mas quando a gente vira o tapete para baixo, está feio, cheio de fios entrelaçados, que a gente não compreende como que aqueles fios de baixo formam um desenho lá em cima.

Quem tece a nossa vida lá debaixo é Deus. Nós não conseguimos compreender quantos lacinhos Deus faz por baixo desse tapete, para sustentar a nossa vida. Eu não percebo que, a cada momento, Deus está arrumando os fios para que a minha vida seja bonita, com um peregrinar de verdadeiro filho de Deus. Esse peregrinar nós fazemos com Deus, Ele é o Todo Santo. Ele quer de nós também a santidade.

Nós somos peça única; Deus me ama como eu sou. É importante nós nos aceitarmos como somos, nos sentindo filhos amados de Deus, E compreender que eu posso, com as minhas limitações, com a minha pequenez, ser instrumento de Deus para transformar.

2º item – Bíblia:

A Palavra. É nela que nós encontramos o alimento espiritual para fazer o nosso caminho e também para nos compreender como filhos amados de Deus. E Maria, Mãe de Deus, nos convida hoje e sempre, a entrarmos na sua escola de evangelização. Ela é a grande educadora, é nossa Mãe educadora. Ela quer nos educar e nos formar à imagem do seu filho Jesus.

Como Maria (Lucas 1, 26-40) devemos, primeiramente, antes de agir, dialogar com Deus. O Papa Francisco diz assim: “Caso você tenha dúvidas no como agir, faça todas aquelas coisas que produzem a paz”. Porque Deus é unidade; o mal é o confronto.

“Queridos Homens do Terço, não vamos buscar o confronto. Quando chegar momento de confronto, pare, reze ao Espírito Santo para que te ilumine nesse momento, para que saiba qual o melhor caminho. Um caminho que produz a paz, a unidade, que produz as coisas de Deus”.

3º item – Água:

Esta fonte é Jesus Cristo. Ele é a fonte que nos alimenta no dia-a-dia. Não podemos prescindir, desconsiderar de Jesus. O alimento principal que Ele nós dá acontece no Altar. É importante que o Terço dos Homens seja a porta de entrada para o encontro com Jesus Cristo. Maria quer encaminhar todos os seus filhos ao encontro de Jesus Cristo, pois é Ele quem nos dá a água da vida eterna.

Não vamos ficar fechados somente no Terço dos Homens e dizer: “o terço para mim já basta”. O Espírito Santo suscita neste momento, o Terço dos Homens dentro da nossa Igreja, para nos levar ao encontro com Cristo nos outros sacramentos.

Temos que abrir as portas para acolher os homens, sem nenhuma discriminação porque, às vezes, esse é o único caminho que se tem para começar a se aproximar de Deus. É isso que nos leva a transformar: é abrir as portas para que outros possam, à sua maneira, se aproximar de Deus. Não vamos usar o Terço dos Homens para delimitar, mas para acolher os homens na Igreja e nós como homens, podermos transformar a igreja, a nossa comunidade, a nossa família com o nosso exemplo.

 

Fonte: A12


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