Entrevista com Dom Anuar Battisti – Dia mundial dos pobres
18 de novembro de 2019
O mundo tem muitas desigualdades e, infelizmente, é comum ver pessoas em situações precárias sem ter o mínimo necessário para que a vida seja plena. Existem algumas organizações que combatem essa pobreza, como a Pastoral da Criança, mas é necessário que cada um olhe para o seu irmão e estenda a mão, pois só assim conseguiremos alcançar um mundo mais justo e sem pobreza. Para conversar sobre isso, convidamos Dom Anuar Battisti, Arcebispo de Maringá e Presidente do Conselho Diretor da Pastoral da Criança.
Entrevistado: Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá e Presidente do
Conselho Diretor da Pastoral da Criança
Por que a Igreja celebra o Dia Mundial dos Pobres?
Foi uma invenção do Papa Francisco, que instituiu este dia para marcar uma data
especial e chamar a atenção, pois cada dia a concentração maior de riquezas
está na mão de poucos enquanto muitos estão cada vez mais pobres.
O que é a pobreza?
Podemos entender pobreza como a falta de um ambiente favorável, sem
condições materiais e apoio para que aquele ser possa se desenvolver e para que
ele use os talentos desenvolvidos no crescimento da sociedade.
Por que existe tanta pobreza?
O que define a pobreza, hoje, é o capital. O capitalismo selvagem que leva
pessoas a viverem numa sociedade em que existe uma concentração de riquezas
e individualismo, enquanto a maioria fica mendigando um pedaço de pão.
Quais são os objetivos que a Igreja quer alcançar com a
celebração do Dia Mundial dos Pobres?
Despertar a consciência nos mais ricos da necessidade de sensibilização para
essa realidade, que está clamando, mas muitos fazem de conta que não sabem.
Como celebrar de modo concreto nas diferentes
realidades que a Pastoral da Criança atua?
É um dia de celebrar através de ações sociais junto à Pastoral do Povo de Rua,
Pastoral da Criança, Pastoral do Idoso, Pastoral dos Excluídos. Todos unidos
fazendo uma grande celebração e união, fornecendo alimento, abrigo, celebrando
publicamente e levando para a rua uma grande concentração dos nossos irmãos
excluídos, pobres e marginalizados na sociedade.
É preciso também que as pessoas escutem os pobres?
Certamente esta atitude de aproximação é importante, ir ao encontro dos
excluídos, dos miseráveis, que estão clamando por um abraço, por uma atenção.
Estar ali e oferecer ajuda, e assim a pessoa vai se manifestar sobre seus desejos
e sentimentos, existe esse espaço do bom samaritano que vai ao encontro e cura
as feridas, assume a vida do outro.
Como entender o tema deste ano do Dia Mundial dos
Pobres na nossa realidade?
“A Esperança do Pobre Jamais se Frustrará” é o tema e a esperança não vai
mesmo acabar, mas ele precisa de ajuda, precisa de apoio, de alguém que
estenda a mão e abra o coração, significa que ele está buscando um espaço e ao
encontrar ele sai da vida em que estava vivendo e se recupera. Não podemos
roubar essa esperança do pobre que está buscando uma realização e um espaço
no mundo.
Que esperança existe na erradicação da pobreza no
mundo?
Se cada um de nós se preocupar com os pobres que estão na sua comunidade,
a erradicação da pobreza vai acontecer na comunidade onde moramos.
Devemos estar preocupados não em resolver apenas com o assistencialismo,
mas buscar a solução para os problemas da comunidade.
Como os líderes da Pastoral da Criança devem celebrar
em suas comunidades o Dia Mundial dos Pobres?
Reunir mais uma vez toda a comunidade para celebrar, rezar junto, agradecer a
Deus pelas condições que cada um tem, alimentar a esperança na fé, saber que
Deus é amor e não nos deixa faltar nada, e pedir para que ele toque o coração
daquelas pessoas que mais tem para que repartam com quem menos tem.
Dom Anuar, qual é a sua mensagem para este grande dia?
Acreditar na Palavra do Senhor que anuncia uma verdade e que denuncia uma
situação pecaminosa que existe no mundo, que todos tomem consciência do
pecado social. Vamos fazer, juntos, um caminho novo baseado no amor, amar e
ser amado é a nossa missão.
Entrevistada: Ir. Veneranda da Silva Alencar
Coordenadora Nacional da Pastoral da Criança
Qual é a sua mensagem para o Dia Mundial dos Pobres?
É recordar todas aquelas comunidades e populações que vivem em extrema
pobreza e sempre na luta pela sobrevivência, para promover iniciativas que
possam transformar essas situações, para que todos possam ter uma vida digna.
Lembro aqui também dos diversos outros tipos de pobreza, como a emocional,
sentida por muitas crianças e adolescentes pela pouca atenção que recebem dos
pais, a pobreza espiritual sentida por quem esquece da fé, a pobreza nos
relacionamentos através de tantas brigas e desentendimentos, a pobreza ética e
aquela individualista, que não deixa as pessoas enxergarem as necessidades de
seus irmãos e não deixa escutar o que os pobres precisam ou querem. Amigos,
pratiquemos a verdadeira caridade frente a qualquer situação de pobreza que é
se importar com o outro, pois todos somos irmãos em Cristo.
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Programa de Rádio 1469 – 18/11/2019 – Dia mundial dos pobres